Apneia Obstrutiva do Sono

09/10/18

O que é 

Apneia significa “parada de respiração”. A apneia do sono é o distúrbio no qual o indivíduo sofre breves e repetidas interrupções da respiração enquanto dorme.

A apneia obstrutiva do sono é um transtorno do sono comum e potencialmente grave. A via aérea torna-se repetidamente bloqueada pelo relaxamento dos tecidos da faringe e da base da língua, limitando a quantidade de ar que atinge os pulmões.

Quando isso acontece, o paciente pode roncar alto ou causar ruídos sufocantes enquanto tenta respirar. O cérebro e o corpo do mesmo são privados de oxigênio. Isso pode acontecer algumas vezes por noite, ou em casos mais graves, centenas de vezes por noite. Na tentativa de reestabelecer a patência da via aérea superior, ocorrem diversos despertares.

Esses despertares são muitas vezes breves, às vezes durando apenas poucos segundos, e essa é a razão pela qual o indivíduo afetado geralmente não percebe que os apresenta durante o sono. Este padrão se repete durante a noite e um paciente com apnéia severa do sono pode acordar centenas de vezes por noite.

Mesmo que os despertares sejam geralmente muito curtos, eles fragmentam e interrompem o ciclo do sono. Essa fragmentação do sono pode causar níveis significativos de fadiga e sonolência diurna, que são sintomas comuns da apneia do sono.

 

Sintomas

Os sinais e sintomas mais associados com a apneia do sono são roncos, apneias testemunhadas pelo companheiro de cama e sonolência excessiva diurna. As pausas respiratórias podem terminar em engasgos, sensação de sufocamento, vocalizações ou breves despertares.

Como resultado ocorre a fragmentação do sono e consequente sonolência diurna e cansaço, sintomas subjetivos e que muitas vezes não são reconhecidos pelo paciente. Nesses indivíduos um substancial aumento do risco de acidentes automobilísticos e profissionais acontece pela sonolência excessiva, que pode ser medida pela escala de Epworth.

A apneia do sono pode gerar no indivíduo a sensação de cansaço pela manhã e sensação de sono não reparador, ainda que o mesmo tenha tido uma noite de sono longa e aparentemente tranquila. Durante o dia ainda pode ocorrer dificuldade para a concentração ou pode até mesmo episódios de sono incontroláveis e isso ocorre pelos diversos despertares, mesmo que inconscientes, ao longo da noite.

Ao contrário dos sintomas acima descritos, a insônia não é considerada um sintoma comum da apneia do sono e, quando aparece, é mais frequente nas mulheres com apneia.

Os principais sintomas da apneia do sono são:

  • ​Ronco alto ou frequente
  • Pausas respiratórias presenciadas durante o sono
  • Sons sufocantes ou ofegantes e sensação de sufocamento durante o sono
  • Sonolência diurna ou fadiga
  • Sono fragmentado
  • Dor de cabeça matinal
  • Nocturia (acordar durante a noite para ir ao banheiro urinar)
  • Dificuldade na concentração
  • Perda de memória
  • Diminuição do desejo sexual
  • Irritabilidade

 

Outros sintomas incluem boca seca ao despertar e salivação excessiva, provavelmente devido à respiração oral, além de sono agitado e sudorese noturna, pelo aumento do esforço respiratório.

Devido a apneias repetidas, hipóxia intermitente e desequilíbrio do sistema nervoso autônomo, os pacientes têm maior risco de desenvolver aterosclerose, hipertensão arterial sistêmica, insuficiência coronariana, arritmias e acidente vascular encefálico.

 

Fatores de risco

O principal fator de risco para a apneia do sono é o excesso de peso corporal. Indivíduos com excesso de peso ou obesidade são mais propensos a ter apneia do sono. No entanto,  também pode ocorrer em pessoas magras.

Os fatores de risco comuns para a apneia do sono incluem:

– Excesso de peso 

A obesidade, classificada como um índice de massa corporal (IMC) acima de 30 ou mesmo o sobrepeso (IMC) acima de 25 é um fator de risco bem estabelecido para a apneia do sono.

– Aumento da circunferência do pescoço

Mesmo na ausência de obesidade, valores acima de 40 cm de circunferência cervical estão associados a um risco aumentado para apneia do sono.

– Idade

A apneia do sono pode ocorrer em qualquer idade. No entanto, é mais comum em indivíduos mais velhos.

– Gênero 

A apneia do sono é mais comum nos homens do que nas mulheres. Para as mulheres, o risco de apnéia do sono aumenta após a menopausa.

 – Hipertensão arterial 

A pressão arterial elevada é extremamente comum em pessoas com apneia no sono.

– Deformidades Craniofaciais

Principalmente envolvendo anormalidades mandibulares, como micrognatia ou retrognatia e condições congênitas (síndromes de Marfan, de Down e de Pierre Robin).

– Hipertrofia de Amígdalas ou adenoides

Essa associação ocorre principalmente em crianças.

– História familiar 

Especula-se que a apneia do sono é dependente, em aproximadamente 40% dos casos, de uma combinação genética e, em 60%, de influências ambientais. Isso significa que indivíduos com familiares que possuem o diagnóstico têm um maior risco de apresentar apneia do sono.

Os traços hereditários que aumentam o risco de apneia do sono incluem obesidade e características físicas, como alterações maxilares. Outros fatores familiares comuns – como atividade física e hábitos alimentares – também podem desempenhar um papel.

 

Tipos/ classificação

A classificação da apneia do sono é baseada no resultado do índice de apneia e hipopneia por hora de sono (IAH) de seu exame diagnóstico: A polissonografia.

Pode ser classificada em:

  • ​Leve : IAH maior ou igal a 5 e menor ou igual a 15
  • Moderada : IAH maior que 15 e menor o igual a 30
  • Grave: IAH maior que 30

 

Diagnóstico

Um médico especializado na área de medicina de sono possui treinamento e experiência no diagnóstico da apneia do sono, que deve ser suspeitada através de uma minuciosa história clínica e exame físico.

Ele também tentará determinar se há algo mais causando problemas no sono ou piorando os sintomas, tais como:

  • Outros distúrbios do sono
  • Outros distúrbios médicos
  • Uso de medicamentos
  • Transtorno de saúde mental
  • Abuso de substâncias

Para a confirmação diagnóstica é necessária a realização de um exame do sono. O exame padrão-ouro para a avaliação dos distúrbios respiratórios do sono é o estudo polissonográfico de noite inteira, realizado no laboratório sob supervisão de um técnico habilitado (saiba mais sobre esse exame clicando aqui), porém existem outras opções diagnósticas, como a polissonografia domiciliar (exame polissonografico de noite inteira realizado no conforto de sua própria casa).

Outros dispositivos de rastreamento do sono podem ser capazer de detectar a apneia do sono, porém devem ser selecionados a alguns pacientes, como aqueles sem comorbidades e alta com suspeita diagnóstica.

 

Tratamento

Uma vez estabelecido o diagnóstico de apneia obstrutiva do sono , o paciente deve ser incluído na decisão de uma estratégia de tratamento adequada baseado nas comorbidades do paciente e na gravidade do caso.

As principais opções de tratamento incluem :

– Tratamento conservador: 

É realizado por intermédio da higiene do sono e do emagrecimento. Simples medidas, como a retirada de bebidas alcoólicas e de certas drogas (benzodiazepínicos, barbitúricos e narcóticos), a adequada posição do corpo (nos pacientes com apneia relacionada ao decubito) podem ser eficazes para o tratamento de SAOS.

– Fonoterapia:

Exercícios orofaríngeos supervisionados por Fonoaudióloga especializada em Medicina do sono, visando fortalecer a musculatura da via aérea superior.

– CPAP:

Esses sistemas ainda permanecem como a primeira escolha para o tratamento. O aparelho chamado CPAP (do inglês, Continuous Positive Airway Pressure) consiste em um pequeno compressor de ar muito silencioso de alta tecnologia que gera e direciona um fluxo contínuo de ar, (40-60 L/min), através de um tubo flexível, para uma máscara nasal ou nasobucal confortavelmente aderida à face do indivíduo.

Quando a pressão positiva passa através das narinas, ocorre a dilatação de todo o trajeto das vias aéreas superiores, eliminando as apneias, aumentando a saturação da oxi-hemoglobina e diminuindo os despertares relacionados aos eventos respiratórios.  A adaptação ao CPAP deve ser realizado por equipe bem treinada e as pressões devem ser ajustadas de maneira individualizada para cada paciente.

Apesar de parecer algo muito desconfortável à primeira vista, o aparelho costuma ser bem tolerado pelos pacientes após a primeira semana de uso.

– Tratamento com aparelhos intraorais (AIOs): 

Existem atualmente dois modelos de AIOs utilizados para o controle de SAOS: os de avanço mandibular e os dispositivos de retenção lingual. Para apneia do sono o mais indicado é o aparelho de avanço mandibular e seu mecanismo de ação se baseia na extensão/distensão das vias aéreas superiores pelo avanço da mandíbula. Essa distensão previne o colapso entre os tecidos da orofaringe e da base da língua, evitando o fechamento da via aérea superior.

Além de representar uma modalidade de tratamento não invasiva, ter um baixo custo, ser reversível e de fácil confecção, os AIOs vêm sendo cada vez mais utilizados, com sucesso,  para o controle de SAOS leve.

Antes do início do tratamento, o diagnóstico do distúrbio respiratório e a seleção dos pacientes favoráveis ao uso do aparelho devem ser conduzidos por um médico especialista em sono. É essencial também que o dentista seja especializado na area.

Os AIOs também podem ser uma opção de tratamento para os indivíduos com SAOS moderada e grave que não aceitam CPAP e para aqueles que são incapazes de tolerar ou que falharam nas tentativas do seu uso.

– Tratamento cirúrgico:

As cirurgias direcionadas para SAOS têm por objetivo a modificação dos tecidos moles da faringe (palato, amígdalas, pilares amigdalianos e base da língua) ou ainda do esqueleto (maxila, mandíbula e hioide).

Não existe um procedimento específico que possa resolver todas as necessidades do indivíduo e, muitas vezes, a combinação de cirurgias passa a ser a melhor forma de tratamento.

Dependendo do problema anatômico a ser resolvido e da gravidade de SAOS, mais de uma modalidade cirúrgica pode ser utilizada de forma conjunta, num mesmo ato cirúrgico, ou de forma sequencial, na medida em que alguns benefícios são alcançados.

As cirurgias nasais podem ser de grande auxílio para o uso de CPAP, mas nem tanto para o tratamento de SAOS. Os níveis pressóricos mais baixos de CPAP, após o tratamento cirúrgico nasal, têm mostrado resultados bastante animadores, principalmente para os casos em que as altas pressões dificultam ou até impedem o uso de CPAP nasal.

 

 

Por dra. Nathalia Borio, pneumologista do Einstein 

Fonte: Hospital Albert Einstein


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